Sítio barulhento
Não permitirei que a intensidade
me dobre e me force a entrada,
por ser ela, de fútil, indesejada,
de fútil e de algo que me é saudade.
Não recordo ao certo, nem entendo
ao certo, mas nisso sou humano
e fútil. É mais profundo o engano
de que falo, ou assim penso. Ofendo
a minha sinceridade ao fazê-lo?
Tratar-se-á apenas de ter dos nervos medo,
de algum preconceito que não cedo,
de alguma falsa integridade o zelo?
Não sei; a luta continua, e o cansaço
com ela. Cada vez menos certo,
o raciocínio - cada vez menos me acerto.
Contudo, saberei esperar, conter o passo,
pois se não mo permitir, estarei perdido,
quer dizer, não é bem esse o termo,
mas acostumar-me a ouvi-lo, ter-mo
imposto, ao som que me não faz sentido,
não poderá ser bom. Mas será melhor
este disperso punho cheio de arranques
em falso, engasgados em ruído-estanques?
Não sei; não o sei já, já só um ror
de incertas notas musicais me traçam
o rascunho de alma em que figuram
as cores a preto e branco que seguram
o silêncio dos pensamentos, que se amassam
num empapado baço. Assim me encobre
a dúvida, e enquanto sou esta roupa
doem-me o estômago e a língua, sem polpa
para digerir ou saborear - torno-me pobre.